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O Caboclo e a Chuva

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira "Caboco" na beira do rio   Acorda com a chuva e o frio,   Hoje não "vô pescá"   As "marola" fazem a canoa "virá",   Chuva que assanha a mata,   Na palha da casa faz "zuada",   Hoje não dá "pra caçá"   A chuva fez tudo "espantá",   O que tiver na "prantação"   Vai "sê" a nossa refeição,   A chuva roça a água desse rio   Me "embrulho" por causa do frio,   Folhas das "palmeira" que balançam,   Vento frio que não se cansa,   Aqui dentro "tá" tão quentinho   No "cobertô" agarradinho,   Quando chove por aqui   "Ficamo" deitado "pra dormi"   O caboclo não sai "pra trabaiá"   Por que a chuva não "que deixá",   "Mulhé" vê algo "pra comê"!   Vê algo "pra trazê"!   Em dia de chuva o "caboco"   Comi o que "tivé". ...

Trovão na Mata

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-->Por Carlos Alberto Gossel Pereira Um trovão estronda no meio da mata Com muita força e toda sua garra Trazendo dos grandes guerreiros a coragem Fé e alegria, aos olhos não é miragem Não é miragem, não é miragem. Vamos dançar e delirar ao som da Amazônia Que faz sonhar Pra quê parar e só se entregar A essa festa que vai começar Amazônia meu coração te ama Meu coração precisa De todo teu amor Amazônia, você me conquistou Meu ser se admirou Com todo o seu esplendor      

Anjo de Sonhos

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira Na madrugada você surgiu Alguém perdido no mundo Sem destino a seguir Sua imagem no escuro Roupa de quem vem da festa Perfume misturado à bebida Embriagou também ao meu ser Deu-me o melhor sorriso Três horas da madrugada Ninguém espera ninguém assim Parece um anjo nos meus sonhos Criado somente para mim Adentra minha casa Invadi o meu coração Conquistou-me sem pudor Deu-me uma doce ilusão Sei que não me pertences Eres do mundo, de todos Eres especial, eu sei Mas, eres "ouro de tolo" Retorno à realidade Tomas o mesmo caminho Volto à minha vida Aonde me encontrou sozinho         

Friagem de Agosto

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-->Por Carlos Alberto Gossel Pereira Que melancolia é esta Que não me deixa sonhar Friagem de Agosto No corpo a me tocar A noite ao chegar Pode ser tão eterna Traz o frio para mim O quarto me protege Não posso contar estrelas A friagem me impede O céu está escuro A vida não me espera Por ti guardo amor Não sei o que pensar Medo de sofrer Não sei o que esperar Tua presença me faz bem Sinto-me bem junto a ti Sou feliz junto a você O destino do meu existir Quem já sofreu um dia Sempre, sempre sofrerá O coração cria armas Para novamente não errar Corpo que precisa de calor Do amor talvez não precise Vento frio que se joga Traz-me junto um vazio Eu desejo o dia Pois o sol vai me esquentar De manhã a rua enfrento Por que agora vou trabalhar

Amor Extinto

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira O coração não é tão forte "pra" aguentar Tanto sofrimento que quer me atacar, O passar das horas é muito dolorido, Preciso de ti, o mundo é tão sofrido, Se você me quisesse de verdade Não faria comigo tanta maldade, Sou um ser humano, carne em coração, Não sei se aguentarei tantas decepções É noite, é tarde, não sei o que pensar, É frio, agonia, aflijo-me, aonde deve estar, Queria tanto apagar tudo e recomeçar Um novo pôr-do-sol, um novo luar, Não adianta falar, várias vezes tentei, Minhas palavras se vão para aonde não sei, Somente o silêncio pode me compreender Se te deixo ou não, não sei o que fazer Não consigo chorar, mas estou a sofrer, Um vírus contaminando todo meu ser, Psicologicamente derrotado sinto-me, Confuso nesse momento aflito, Perdido em um jardim que plantei, No coração um deserto criei, Em um momento tudo começa lindo, Em outro termina, amor extinto

Folhas Verdes (Cinco anos de Solimões)

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira No amanhecer da Amazônia Terra que nos causa insônia O desmatamento é um fantasma Que nos tira toda a calma A neblina de um amanhecer frio Pode nos trazer muitos desafios O canto dos pássaros por entre o verde Dá força para cumprir-se o que desejes   No meio da mata precisa-se de uma direção Um GPS que direcione a sua razão Palavras escritas são eternas para quem lê Palavras decididas força nos vem trazer Noticiando o que a mata testemunhou Levando a cultura que o professor lhe ensinou Mas que um jornal, um forte de sabedoria Para dar-lhe guarida com toda maestria Pelo ar quente e úmido da Amazônia A floresta o aplaude, a felicidade é tanta Cinco anos, forte como uma árvore milenar Que em meio à mata de longe a se avistar Seu verde se confunde às folhas da mata Verde, riqueza da natureza anunciada Parabéns pelo seus cinco anos de vida Jornal Solimões, em meio a mata querida ...

Pensamentos Ocultos

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira Não é fácil procurar no teu olhar O amor que estou a necessitar Um olhar perdido em meus sentimentos Que não pode amar a evitar sofrimentos Nossos corpos extremamente juntos Carnes juntas e pensamentos ocultos Tão distantes, prazeres obscuros Felicidade uma coisa absurda Não posso te falar verdades Senão discussões são inevitáveis Teu ser moreno, moreno tão natural O sol te bronzeou de um modo angelical Contos e encantos, e eu na tua mão Incendiou toda a minha razão Fruto perdido na escuridão da selva Eres algo especial que Deus me reserva Em meu mundo é inexistente o amor Não há plantas, nem sequer uma flor Somente uma floresta devastada Que de tantos sofrimentos foi queimada Há uma pequena luz me iluminando Em meio ao carvão me rodeando Talvez você seja essa pequena luz Com esse teu ser que me seduz