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O Papagaio e o Moleque

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira Moleque que corre para lá e para cá Não deixa o papagaio escapar O papagaio afoito no céu Não quer nem saber de descer, voltar Moleque que corre para lá e para cá Com seu papagaio colorido a me encantar O papagaio se esgueira dos postes Não quer na terra tocar Moleque que corre para lá e para cá Não cansa de o papagaio empinar O papagaio saltitando no céu Não quer para terra olhar Moleque que corre para lá e para cá Não deixa o papagaio no azul se aquietar O papagaio desfilando no lençol Não consegue descansar Moleque que corre para lá e para cá Não deixa o papagaio no azul se aquietar O papagaio faceiro no céu Não se importa para quem o quer pegar Moleque que corre para lá e para cá Faz manobras com a mão Mas o "cerol" cortou a linha E o papagaio veio ao chão.

Banhado

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira Banhado Por teu ar Por teu corpo Por teus lábios Por teu sorriso Por teu olhar Por teu sabor Por teu amor Por teus sonhos Por teu sol Pela água que te banha Que assanha Todo o meu ser, Se te amar Me faz bem Vou me banhar Nesse rio-mar Afogar-me Explorar Todas as tuas linhas Todo o teu ser, Que prazer Ter aqui você Juntinho Ao meu ser.

Psicopata

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira   Não consegui ler no teu olhar Todo o mal que guardavas para mim Embrenhando-me em teus sorrisos Findando a me seduzir Naveguei milhares de vezes em teu corpo Perdido nesse imenso mar Náufrago que não seria ser encontrado Em nenhuma ilha queria acabar Tuas fotos mostram o que não eres A inocência estampada é falsa Descartável como uma garrafa “pet” Cheiroso e letal bálsamo Eres uma casca momentânea Com o tempo tudo vai mudar Vai se arrepender de tudo que fez E meu coração longe de ti estará Invadiu todo o meu ser Possuiu minha mente e minha carne Abusou de todo meu amor Rasgou-me em mil pedaços Deixo meus restos pela rua Nas calçadas por onde passo Mas ainda tenho chances A vida passa e o tempo me salva

O Amor e a Razão

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Por Carlos Alberto Gossel Pereira Esse vento que bate em meu rosto Em minha pele jogando esse frio O amor que tenho guardado no peito Somente me faz infeliz O meu pensar me faz viajar De onde estou para algum lugar Agora sei que amar não é bom Faz-me muito chorar Teu cheiro é a essência do meu viver Teu corpo me faz existir Não sei o que faço com esse amor Queria deixar de existir A razão te quer tirar de mim O amor te quer para sempre Não quero que as flores murchem Meu coração tudo sente O silêncio do meu quarto O calor do dia, o frio da noite Tudo está tão igual Em mim é puro açoite Lágrimas que não param de jorrar Chuva que não cansa de chorar Pelo amor de Deus me tire esse amor Que está a me enterrar

Bem cultural

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São palavras escritas Trazendo-lhe o acontecido Palavras concretas e verdadeiras Porto seguro para quem está perdido As castanheiras-do-Brasil são testemunhas Protege-lhe com suas folhas altaneiras Desafiando o céu azul De um jeito tão faceiro Mais que um jornal Bem cultural de Tabatinga De todo o Alto Solimões E de nossa região fronteiriça O rio Solimões lhe rodeia O batiza e o abençoa Passando lentamente pela cidade Suas marolas por aqui soam Quatro são os pontos cardeais Avista-se de qualquer direção Norte, sul, leste e oeste Notícias para a imensidão Registrando a nossa história Herança para nossos descendentes Quatro anos de luta e informação Jornal Solimões é da nossa gente

Invisível

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Essas tuas terríveis traições Que fazem sangrar o meu coração Alguém me disse "ninguém é de ninguém" Mas nessa história eu sou refém Preso por esse amor que tenho No sofrimento me contenho A não chorar e se degradar Nesse sofrido e tormentoso mar Tuas mentiras são punhais na carne Estragam meu mundo e me estraçalham Mundo falso e ás vezes sem sentido Mentiras que vivem me ferindo Amo-te e te odeio, estou confuso Te querer longe seria um absurdo Mudar seu modo de agir é impossível Para os outros meu sofrer é invisível Sentir tua pele junto a mim Saber que alguém também vai sentir Invade uma tristeza e um desespero O tiro foi dado e é certeiro Atingiu o que me faz viver O que levanta todo o meu ser Que me dá forças e ilusão Você atingiu o meu coração

A Cabana de Palha

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Na revoada do vento Jogando o frio para lá e para cá, A zoada que esse vento faz Nos galhos das árvores da floresta me assusta, Folhas se vão pelo ar, Pois o escurecer chegou cedo, Mas a noite não foi avisada, Pois a mata está sombria, E a chuva caiu com bastante ira Lavando a palha da cabana, E encharcando o campinho de futebol. E quem disse que os moleques Se importam com a chuva?! Com gritos de alegria pelo ar Querem brincar e brincar, E a chuva a jorrar! Da casa na beira do rio, Bem perto do barranco, E eu da janela pequena tudo a admirar, E a perguntar: - Que horas essa chuva vai parar?